sexta-feira, 16 de abril de 2010

Entrevista à autora:

"Sobre mim:
- Sou uma sonhadora. Vivo com a cabeça nas nuvens… mas os pés estão bem assentes na terra. Sou fruto de um pescador e de uma contadora de histórias, e tive a sorte de crescer entre a praia de Sesimbra e a Serra da Arrábida. A minha cabeça estava sempre enterrada em livros. Devorava-os com sofreguidão. Comecei a escrever por volta dos onze anos, só para a família e os amigos. Por prazer. Por paixão. Por necessidade também. Para mim, a escrita é tão essencial como a comida e o sono. No entanto, nunca tive a ambição assumida de publicar. Até costumo dizer que esse era o sonho que eu não me atrevia a sonhar. Das dezenas de histórias que fui imaginando e construindo ao longo dos anos, a Saga das Pedras Mágicas foi aquela que acabou por me prender de corpo e alma. Quando o meu marido terminou de ler o manuscrito que deu origem aos livros “A Última Feiticeira” e “O Guerreiro Lobo” começou a pressionar-me para que o enviasse para uma editora. Recusei-me a fazê-lo. Achava que o mundo podia acabar no dia em que um profissional se pronunciasse sobre o meu trabalho. Pelo menos, o meu mundo! Após dois anos a bater-se contra a minha teimosia, o meu marido enfiou o manuscrito num envelope e entregou-o ao juízo da Editorial Presença. E foi assim, desta maneira improvável e um pouco louca, que esta aventura fantástica começou.

Estilo e Ritmo de Escrita:
- Escrevo com o coração. Esqueço tudo o que me rodeia. Saio da minha pele, piso os cenários e visto a pele das personagens. Isso torna-as complexas, humanas, reais… É cansativo, mas divertido. E extremamente compensador porque, assim como dou por mim a rir, a chorar, a indignar-me e a maravilhar-me quando mergulho no universo da Saga, também o leitor sente essas emoções ao entrar na história. Dedico-me à escrita sempre que posso. Não me falta inspiração… Falta-me tempo para lhe dar vida! Mas sem angústias. Um passo de cada vez.

Influências:
- Nós somos o produto das experiências que já vivemos e dos conhecimentos que assimilámos nesse percurso. No fim, tudo o que eu vi, ouvi, li, sonhei e senti ao longo da vida acaba por me definir como pessoa e manifestar-se, quer seja de forma explícita ou velada, no mundo que estou a criar. Sempre que me perguntam qual a minha autora preferida, respondo: Marion Zimmer Bradley. Porquê? Tinha treze anos quando li as Brumas de Avalon pela primeira vez e fiquei fascinada pelo modo como a autora dava voz às personagens femininas, num universo dominado por heróis masculinos. Tentei fazer o mesmo com a Saga. Gosto de pensar que consegui.

O livro que mais gostou de escrever e porquê:
- A Saga das Pedras Mágicas é uma única história, contada por três gerações de mulheres ao longo de sete livros. É impossível dizer qual deles me deu maior satisfação a compor ou indicar um favorito, pois todos fazem parte de mim. Esta aventura cresceu comigo e acompanha-me a cada passo. Apenas costumo destacar os dois primeiros volumes porque resultaram daquilo que, a gracejar, chamo a “idade da inocência”. Escrevi-os sem quaisquer pretensões… Jamais me passou pela cabeça que, um dia, haveriam de chegar às mãos de alguém que eu não conhecia. Isso torna-os especiais, pois são os responsáveis pela realização do meu sonho.

» O que nos espera no futuro: «
- Tenho projectos guardados que só precisam de um pouco de reflexão. Aventuras extraordinárias. Histórias de amor e amizade. O Fantástico concede-me liberdade criativa para explorar outros géneros literários que também me encantam. As possibilidades são inesgotáveis! Além disso, recebo muitos pedidos de leitores para, no futuro, regressar às histórias secundárias que enriquecem a Saga e explorá-las em profundidade. Eventualmente acabarei por fazê-lo, pois, apesar de algumas personagens terem seguido rumos que as distanciaram da intriga das pedras mágicas, continuam a clamar pela minha atenção. Enquanto os meus leitores me apoiarem e acarinharem, não me faltarão forças para escrever.

Dicas e Conselhos a jovens que querem ser escritores:
- Leiam não só aquilo que à primeira vista vos atrai, mas um pouco de todos os géneros, para expandirem horizontes e aguçarem o espírito crítico. Devorem conhecimento dentro das mais variadíssimas áreas, porque é verdade que este não ocupa espaço. Pesquisem sobre as matérias que vos interessam e amadureçam as ideias antes de queimarem as pestanas em frente do computador. Questionem ao escrever: o que é que eu posso fazer para melhorar o meu trabalho? E, principalmente, descubram se a vossa escolha é um acto de paixão. Porque só uma grande paixão compensa todos os sacrifícios pessoais, sociais e profissionais que a escrita impõe! Por fim, estendam as asas, dêem o derradeiro passo e lancem-se a voar. A experiência ensinou-me que as críticas não nos matam. Pelo contrário, ajudam-nos a crescer; tornam-nos mais fortes, mais batalhadores. Não há que ter medo de arriscar, de lutar pelos nossos sonhos... Retirem satisfação da vida, quer seja a escrever ou a fazer outra coisa qualquer. Nada mais importa, além da felicidade. "

Entrevista feita pelo blogue Morrighan_ Retirado de:
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A Saga das Pedras Mágicas